Será a Ginkgo Biloba a solução para melhorar as capacidades cognitivas?

Catherine Esbelin

Médico/a

Com mais de 270 milhões de anos, o Ginkgo Biloba, o único representante da família dos Ginkgoaceae, é uma das árvores mais antigas. Nativo da China, é também um dos vegetais mais resistentes do planeta e um dos únicos a ter sobrevivido à bomba atómica em Hiroshima. Diferencia-se das outras árvores devido à sua longevidade incrível, podendo viver até aos 1000 anos. No outono, a sua folhagem adquire uma tonalidade dourada, característica que está na origem do nome "Árvore-de-quarenta-dinheiros".

As nozes de Ginkgo, no interior das sementes de Ginkgo, fazem parte da alimentação de algumas culturas, nomeadamente por altura do Ano Novo chinês. Contudo, a sua utilização mais comum é o fabrico do suplemento alimentar com o mesmo nome, a partir dos extratos de sementes e de folhas.

Fisiologia da Ginkgo Biloba

O extrato desta árvore contém essencialmente fenólicos, flavonoides e terpenoides, responsáveis pelas suas propriedades farmacológicas. Vários mecanismos fisiológicos explicam as virtudes desta planta:

  • O extrato das folhas do Ginkgo Biloba inibe o fator plaquetário e aumenta a produção de monóxido de azoto nos vasos, aumentando o fluxo sanguíneo no corpo;
  • Ajusta diferentes sistemas de neurotransmissores, atuando da mesma forma que alguns medicamentos utilizados no tratamento de Alzheimer ou de depressão. De facto, é um inibidor potente da monoamina oxidase A e da recaptação de dopamina, do 5-HT e da norepinefrina;
  • Impede a formação de radicais livres, combatendo o stress oxidativo e a hipoxia de tecidos;
  • Inibe a neurotoxicidade da beta-amiloide, um biomarcador da doença de Alzheimer.

Os benefícios do Ginkgo Biloba:

Existem 4 propriedades principais do Ginkgo Biloba:

  • Previne a doença de Alzheimer e a demência de forma mais geral: devido aos seus antioxidantes que estimulam a atividade neural e mantêm as vias cognitivas livres de placas amiloides;
  • Ajuda a melhorar o fluxo sanguíneo: devido aos seus efeitos vasodilatador, anticoagulante, antiagregante plaquetário e anti-inflamatório, a oxigenação da pele e dos órgãos é melhorada. É, portanto, recomendado para estimular a energia, a força e o tónus muscular. Este aumento do fluxo sanguíneo ajuda a aliviar os sintomas de doenças cardiovasculares como arteriopatia, hipertensão, síndrome de Raynaud, gota etc.;
  • Melhora as capacidades cognitivas: é conhecido por estimular a memória e a concentração. Um estudo demonstrou uma melhoria significativa da memória a curto prazo após a administração sucessiva de 120 mg, 240 mg e 360 mg de um extrato normalizado de Ginkgo (GK501, Pharmaton, SA) num grupo de voluntários, em comparação com o grupo placebo correspondente [1];
  • Luta contra o envelhecimento e a degeneração das células, devido às suas propriedades antioxidantes.

Outros benefícios da árvore de Ginkgo Biloba:

Os benefícios desta planta não se limitam aos mencionados acima. O Ginkgo Biloba contribui também para a redução dos acufenos e das vertigens, a melhoria do humor, da concentração e da visão, a atenuação dos sintomas pré-menstruais (dores musculares, cansaço, ansiedade), a diminuição dos problemas respiratórios (em particular, da asma), a prevenção da hipobaropatia e combate a depresszão [2].

Dose e posologia

É consumido sob a forma de cápsulas, infusão ou tintura-mãe. Recomenda-se tomar 120 a 240 mg de extrato de Ginkgo Biloba por dia, dividido em duas ou três doses, perfazendo um tratamento de 3 a 6 meses para obter benefícios. A suplementação com Ginkgo deve ser feita de forma progressiva: começar com 60 mg de extrato e aumentar progressivamente a dose para evitar possíveis dores de cabeça causadas pelas propriedades vasodilatadoras do Ginkgo.

 

Quais os efeitos secundários da Ginkgo Biloba?

No geral, quando utilizado com moderação, o Ginkgo não constitui perigo para o organismo. Os efeitos secundários graves são raros, mas convém salientar dois deles:

  • Aumenta o risco de sangramento devido à sua ação anticoagulante. É, portanto, extremamente desaconselhado às pessoas que sofram de problemas de coagulação (hemofílicos etc.) ou que já tomem medicação que favorece o sangramento (ibuprofeno, aspirina etc.). Por esse mesmo motivo, o Ginkgo não deve ser tomado nos dias anteriores a uma intervenção cirúrgica, nem por mulheres grávidas ou lactantes;
  • Pode baixar os níveis de glicémia. Deve ser tomado com precaução por pessoas com diabetes. É importante salientar que tomar Ginkgo Biloba pode eventualmente provocar dores de estômago ligeiras, náuseas, diarreia e dores de cabeça.

Cuidado: nunca comas sementes ou folhas de Ginkgo não tratadas, pois são tóxicas!

Referências :

  1. Kennedy, D. & Scholey, A. & Wesnes, K., The dose-dependent cognitive effects of acute administration of Ginkgo biloba to healthy young volunteers, Psychopharmacology (Berl) 151(4):416-23, Septembre 2000
  2. Moraga FA, Flores A, Serra J, Esnaola C, Barriento C., Ginkgo biloba decreases acute mountain sickness in people ascending to high altitude at Ollagüe (3696 m) in northern Chile, PubMed, Spring 2008
  3. Natascia Brondino, A. De Silvestri, S. Re, A systematic review and Meta-Analysis of Ginkgo biloba in Neuropsychiatric Disorders: From Ancient Tradition to Modern-Day Medicine, NCBI, May 2013
  4. L. Kuller, G. Burke, M. C. Carlson, J. Robbins, Questions and Answers: Ginkgo biloba for the Evaluation of Memory (GEM) Study, National Institutes of Health, September 2017
  5. Pittler, M. & Ernst, E., Ginkgo Biloba extract for the treatment of intermittent claudication: a meta-analysis of randomized trials, The American Journal of Medicine Vol. 108:4, pages. 276-281, Mars 2000
  6. Andrieu, S. et. al., Association of Alzheimer’s Disease Onset With Ginkgo Biloba and Other Symptomatic Cognitive Treatments in a Population of Women Aged 75 Years and Older From the EPIDOS Study, Journal of Gerontology A Biol Sci Med Sci 58:(4), 2003
Catherine Esbelin

Médico/a

A frequentar o sexto ano, Catherine pretende formar-se em medicina geral. Pratica musculação há dois anos, em média 5 vezes por semana. As suas duas paixões não apenas são compatíveis, como também se complementam, especialmente devido aos conhecimentos que o estudo de medicina lhe pode trazer (nutrição, fisiologia, anatomia etc.)! Mais tarde, pondera especializar-se em medicina desportiva.

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